O personagem da melodia

Na calçada cinza e levemente aquecida pelo sol estava sentado um garoto de pele morena e roupas surradas, aparentava seis anos de idade. Suas magras mãozinhas dedilhavam por uma flauta doce, com serenidade e inocência tocava uma leve melodia em meio aos outros meninos que jogavam bola da Praça Julio Prestes. A pomposa edificação da Sala São Paulo fazia sombra para confortar-lhe, e internamente desejei poder vê-lo um dia com roupas galantes tocando no belo palco que eu iria conhecer dali a poucos minutos.

Assim que adentrei o espaço, pude vislumbrar a arquitetura alemã da Estação da Luz e o belo céu matinal que cobria as construções, ao lado, o chão de madeira escura que revestia a recepção da famosa sala de concertos. Aquele era meu primeiro passo dentro de um grande sonho, era como se meus pés pudessem atravessar o couro da bota e tocar aquele chão que contava tantas histórias aos seus visitantes, como se as paredes e colunas ao meu lado sussurrassem memórias de músicos e plateia.

As flores em rosa e verde feitas por pastilhas no chão já nos retomavam à era do auge cafeeiro no Brasil, o verde das matas e o rosado do café. Inicialmente, nada existia naquele espaço, senão a estação da Luz: um grande canal de escoamento do café paulistano para as demais regiões. A estação de trem, no início do século XX era o mais fascinante espaço de convivência, sua estrutura era a vitrine da cidade sobre a qual estava instalada, por isso a magnitude da estação. Nas estações de trem encontravam-se refinadas cafeterias, barbeiros, joalherias e lojas de acessórios de luxo, aquela era a porta de entrada para a São Paulo da garoa, acolhedora de sonhos e ambições.

Nesta época surgiu o primeiro projeto de uma nova estação de trem, a Julio Prestes, que seria maior que a primeira e teria uma construção muito refinada, possuidora até mesmo de um encantador Jardim de Inverno. O arquiteto responsável idealizou a construção de modo que sua arquitetura demonstrasse tradição e história juntamente com inovação e tecnologia. Com o choque da quebra da bolsa de Nova York e a queda na movimentação comercial do café o projeto teve de ser pausado. A construção continuaria somente na década de 40, e sendo altamente criticada, seria consolidada nos anos 50. As críticas vinham, principalmente, daqueles que iam contra o ambiente de tradição e nostalgia que o espaço trazia.

Na mesma década de inauguração da estação e seu salão, a Orquestra Sinfônica Estadual (OSE) também é fundada sob a regência do maestro Souza Lima. Uma série de crises assolava a nação e a orquestra em meados da década de 50, a resistência política e a falta de verba fizeram com que os músicos ficassem sem se apresentar por quase oito anos. Felizmente, em 1965 a Orquestra volta à tona numa série de concertos privilegiados pela capital, inclusive no teatro da PUC-SP, após estas apresentações eles seguiram para o interior do estado.

Todavia, no final dos anos 60, novamente a Orquestra entra num período de estagnação devido ao então Governador do Estado, Abreu Sodré, que paralisou os ensaios, os salários desmotivadores e a pequena quantidade de músicos fora a principal causa.

Com um novo maestro, Eleazar de Carvalho, no início dos anos 70 a Orquestra é retomada com melhores salários, mais audições para músicos e mais temporadas pelo Estado, pela região Norte e pela região Nordeste. A partir deste ponto, a OSE passa a ser chamada de Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), nome que carrega até hoje.

A todo vapor e após superar muitas crises, a Orquestra chega aos anos 80 pela primeira vez regida por John Neschling como maestro convidado. Com variações de maestros e músicos, a OSESP também não tinha uma sede própria, ela passava de Teatro em Teatro pela capital Paulista ensaiando aqui e acolá. Após passar por muitos lugares, a Orquestra entra numa terceira crise e passa a ocupar o Cine Copan, sem climatização para os instrumentos ou camarins para os músicos. Após o Cine Copan, os locais de ensaios passaram a ser improvisados até se instalarem no Memorial da América Latina no final da década de 80, porém, o espaço era escasso e eles chegaram a ensaiar com Orquestra completa no restaurante do Memorial.

Os anos 90 foram realmente decisivos para a Orquestra. Durante o governo Maluf, houve a primeira greve dos músicos por melhores salários e em contrapartida o governo contratou mais músicos para que se totalizassem 120. No meio da década, durante o velório do maestro Eleazar, o trompetista Gilberto Siqueira exclama “O sonho de Eleazar era construir um espaço para abrigar nossa Orquestra, e este sonho nunca foi realizado”, neste momento, Mario Covas ouve a constatação e começa a refletir sobre a construção de um espaço exclusivo para a Orquestra.

Após o falecimento do maestro, John Neschling que já havia tomado frente da OSESP como maestro convidado é chamado para assumir a regência, porém, ele impõe sérias condições para o Governador Covas, entre elas o aumento do salário dos músicos e a construção de uma Sala para a OSESP.

Ao vasculhar São Paulo atrás de um espaço para a Sala, Mario Covas deparou-se com o Jardim de Inverno da estação Julio Prestes e concluiu com Neschling que ali seria o local perfeito. Após usar 15 mil metros cúbicos de concreto, mil toneladas de aço e 4,5 mil toneladas de areia, a Sala São Paulo é inaugurada com êxito pela OSESP, que agora possuía salários em patamares internacionais, fazia turnês pela América e recebera o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Conjunto Sinfônico do ano de 1999.

No início do século XXI, a orquestra inicia sua turnê pelos EUA, onde Neschling e seus músicos são plenamente elogiados pelo New York Times. Em sua primeira turnê pela Europa, mais de sete mil ingressos foram comprados com antecipação e a Orquestra estava oficialmente consagrada internacionalmente. No Brasil, em 2004, ela comemorou 50 anos juntamente com os 5 anos de sua Sala, a iniciativa privada fazia o público triplicar.

A Sala foi arquitetada com estrutura barroca, e sua estrutura remete-nos aos antigos teatros europeus, porém, por trás das grandes pilastras, das pastilhas cafeeiras, dos vitrais, dos salões de entrada e da disposição, ela está repleta da mais refinada tecnologia acústica, e é uma das melhores salas de concerto do mundo. Seu teto é completamente móvel, 9 placas de 7 toneladas cada são programadas por computador para moverem-se de acordo com a amplitude acústica que a apresentação do dia necessita, assim como a madeira que a forra é clara e porosa, para que o som não fique retido em nenhum local. As portas são constituídas de aço, madeira e chumbo, para que o som não escoe para fora da Sala e para que os ruídos da estação de trem não penetrem lá. Suas poltronas são revestidas com delicadas camadas de uma espuma que absorve a mesma quantidade de som que um ser humano é capaz, para que o vazio da Sala não implique negativamente nos ensaios da Orquestra, por isso, diz-se que ela é um local que está vinte e quatro horas por dia lotado.

Finalmente, após ficar extasiada com tal beleza e história da Orquestra, sentei-me e apreciei o concerto daquela manhã. Sob a regência do maestro Jakub Hrusa, a OSESP apresentou o Scherzo Fantastique, Op.25 de Josef Suk, três excertos de Má Vlast (Vysehrad, Vltava e Sárka) de Bendrich Smetana, e duas das danças eslavas (Op. 46: nº 1 e Op. 72 nº 7) de Antonín Dvorak. Ao ver tão bela Orquestra apresentar-se, meu coração palpitava tanto quanto corriam os arcos dos violinos, e meus olhos não sabiam se olhavam o teto móvel, os floreios arquitetônicos, os violinos ou outro naipe.

O concerto que dura uma hora levou à plateia ao delírio, e meus olhos encheram-se de lágrimas ao ouvir Vltava, os contrastes de tonalidade e intensidade dos instrumentos me levou, mentalmente, ao lado de fora da Sala. Onde estaria o garotinho e sua flauta doce? O contraste de sua música inocente com a imponente Sala São Paulo era tão marcante quanto os contrastes compostos por Smetana no século XIX.

Durante os pianos e fortíssimos da Orquestra eu imaginava os grandes contrastes presentes em nossas vidas, na vida do garoto com a flauta diante grande Sala. O som trazia à tona uma reflexão sobre nossos problemas e nossas soluções, nossos conflitos internos e nossos dias perfeitos, nossos medos e nossas alegrias, nossas amizades, nossas lembranças, nossa suavidade e nossa arrogância. Como uma trajetória de vida, o som de Vltava corria por cada canto da sala e penetrava no peito de cada espectador, remetendo-nos aos altos e baixos de nossa própria existência. Felizmente, após muitos altos e baixos a sinfonia acabava numa suave e genial nota, que perpetuará no mais profundo da minha alma.

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O corpo

Na Bíblia, encontramos a alusão de um corpo para explicar como deveríamos ser como irmãos.

Enquanto as diversas partes de um corpo concordam entre si sobre como funcionar, então a vida é preservada. O rim sabe sua função, e as pernas também. O coração pulsa e os pulmões respiram. Quando leio em 1° Coríntios 3:9 a afirmação sobre “sermos cooperadores de Deus” entendo que o que Deus deseja de nós é que, 1) sejamos cooperadores da obra dEle na Terra, contribuindo para a boa convivência entre os irmãos e para a evangelização daqueles que desejam conhecer a Deus e 2) que amemos-nos um aos outros antes de amarmos as pessoas distantes à nós. Como? Que amemos aqueles que estão dentro do corpo de Cristo conosco.

Atualmente, algo está confuso neste corpo. Num corpo, embora as partes não tenham a mesma função, todas se sincronizam para que o todo seja eficaz. As partes simplesmente não concordam em funcionar no mesmo ritmo. O coração quer bater mais rápido do que a respiração dos pulmões e os rins estão trabalhando lentamente, deixando que todo o corpo fique inchado. A perna esquerda corre a direita é arrastada, o olho esquerdo quer dormir enquanto o direito quer ficar acordado e, como resultado, o corpo chega à fadiga e não produz nada.

Amar alguém que está longe? Amar um continente pobre? Amar pessoas com doenças raras em um país que passa fome? Sim, estas são causas nobres. Mas, como minha sábia mãe sempre me ensinou: O mais difícil é amar quem está ao nosso lado. E para a igreja, atualmente, o mais difícil está sendo amar os irmãos que vão na igreja da rua de cima, ou da rua de baixo, que, por algum motivo, não possuem a mesma placa na frente, mas possuem a mesma verdade no coração.

Batistas, presbiterianos, assembleianos, congregacionais, metodistas, adventistas, e tantos outros. Todos nós buscamos uma única coisa acima de todas as outras: servir Deus e morar com Ele no céu. Porém, o que alguns esquecem no meio da jornada é que você não morará sozinho com Deus no céu, lá também estarão o restante da Igreja – e, olhe só! Eles não vão ser todos da mesma denominação terrena.

Lembre-se disso na Santa Ceia. Ali, você está ceando com seus irmãos locais, que frequentam a mesma igreja que você, na rua x do bairro y. Mas, no céu, haverá uma ainda maior, e todos os irmãos – de denominações diferentes, culturas diferentes, países e épocas desconhecidas – estarão na mesma mesa com você. E aí, o que você fará? Irá levantar-se da mesa porque não concordava com a ótica daquela ou dessa denominação?

Por isso, desejo que um dia possamos respeitar em amor todos os nossos amados irmãos em Cristo nesta Terra. Alguns interpretam um trecho de uma forma, e outros de outra. Alguns se focam em um certo ponto doutrinário, outros possuem uma ótica diferente. Mas, que com a ótica de Jesus Cristo possamos olhar com amor para todos ao nosso redor. Pois, todos nós temos o mesmo objetivo, servimos ao mesmo Deus e levamos a mesma Bíblia aos cultos de adoração e louvor.

Que nosso senso de auto-confiança não leve o corpo de Cristo ao colapso!

Caminhe!

Ao ver uma notícia do Projeto Tamar com esta fotografia, imediatamente coloquei-me a pensar sobre o ato de caminhar, com furor, na direção do desconhecido. Diante de uma imagem tão linda, o que podemos aprender? A natureza, a physis grega se quiserem, é, inevitavelmente, o reflexo de seu criador. Portanto, o que este ato de pequenas tartarugas tem a nos ensinar?

Vamos observar primeiro. Elas acabaram de sair de seus ovinhos, não encontraram mãe ou pai (foram propositalmente deixadas ‘a sós’), seus primeiros passos são desajeitados e tortos, elas apenas sentem o mar em algum lugar e sabem que precisam, por sobrevivência, ir na direção dele. Não sabem exatamente o que estão fazendo, não há muita lógica – é até arriscado, o ovo seria mais seguro! Em grupo, caminham no chão desconhecido, ficam sob calor e sol e caminham, caminham, focadas no mar, até entrar nele. Imagine, em proporção, o tamanho de uma destas pequenas e o tamanho dos oceanos, a profundidade deles comparado a pequenês e a fragilidade das tartaruguinhas.

O oceano, ao invés de impor medo, impõe-se como lar.

Com sabedoria e humildade, vamos sair do nosso local de conforto, conforto social, conforto existencial, conforto moral. Vamos sair do local onde achamos ser confortável e descobrir o que há além de nossa casca, descobrir nossos semelhantes, caminhar ao lado de nossos semelhantes, aventurar-se a aprender mais e deixar para trás aquela velha casca de ideais pré-estabelecidos em algum lugar de nosso crescimento.

Como dito na carta aos Hebreus, capítulo 12, versículos 1 e 2, corramos com perseverança (não desistindo nos primeiros passos desajeitados!) a carreira que nos é proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé.

Caminhemos, portanto, com perseverança ao lado de nossos semelhantes. Que cada manhã seja um novo dia para romper a casa dos nossos ovinhos confortáveis e possamos olhar ao nosso redor: olhar primeiramente para nós, nossa pequenês diante de todo o restante, em segundo lugar, olhar para nosso semelhante e caminhar ao lado dele, e o mais importante: olhar com perseverança para o oceano, focar-se no oceano, correr nossa carreira em direção dele, mergulhar nele, viver nele, é o nosso lar! O que o oceano é para estas tartarugas, Jesus é para nós: nosso lar, autor de nossa fé, consumador dela.

Tenha um bom amanhecer amanhã, tente romper a casca e caminhar para Jesus!

Elogio ou chamado?

Hoje iniciaremos com uma pergunta: O que você prefere, ser chamado ou ser elogiado?

A resposta a esta pergunta se vê clara quando as pessoas lêem o quinto capítulo do evangelho segundo Mateus, no décimo terceiro versículo. Nesta passagem, parte do Sermão da Montanha, Jesus diz: Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?.

Neste momento, Cristo não estava nos elogiando, ele estava nos mostrando a realidade. Por exemplo, se digo para um Índio que nunca se viu no espelho que seus olhos são negros, ele pode até achar isto um elogio, porém, eu nada mais estou fazendo do que comentar a verdadeira e pura realidade, posso também mostrá-lo em um espelho, para que se veja. Cristo acendeu a luz, mostrou-nos o espelho, abriu nossos olhos ao dizer que somos o sal da terra. Não foi um elogio, foi um chamado para, uma vez “sal”, desempenharmos o papel de “sal”.

Sendo assim, isto é, eu repito, um CHAMADO! Porém, por que o sal? O sal possuí três elementares e incríveis propriedades: ele preserva, dá sede e purifica.

Vamos primeiro à preservação. Afinal, o que nós, como “sal” devemos preservar neste mundo? Primeiramente, conservar não é deixar mofar, estragar, deixar algo intacto. Preservar é zelar, proteger e amar algo. Cristo nos revela dois capítulos depois, no sétimo, do mesmo livro, que devemos preservar suas palavras e seus mandamentos, amando ao nosso próximo como a nós mesmos e a Deus sobre todas as coisas. Portanto, como “sal”, devemos preservar o amor puro neste mundo, não olhando para trás ou para os lados, olhando para Cristo, autor e consumador da nossa fé, e para os seu mandamento. Amando-nos uns aos outros, amando a Deus e nos vendo como irmãos e partes de um mesmo corpo, estaremos preservando nossa humanidade.

Por que sede? Por que devemos causar sede na sociedade? Jesus certa vez disse que, qualquer um que toma de águas “convencionais” continuará a ter sede, mas aquele que beber da água que Ele dá, este nunca mais terá sede, porque a água que Jesus dá se fará no que a beber uma fonte, para que este salte para a vida eterna. Portanto, ser o sal da terra significa despertar, em nós mesmos primeiramente, a sede pela verdade, pela sabedoria, pela compreensão. Paulo diz para Pedro, na segunda carta que a este envia, para que ele cresça na graça e no conhecimento de Jesus. Portanto, devemos crescer e nos hidratar durante este crescimento da água que vem de Jesus, de suas palavras e de seu amor, da mesma forma, devemos oferecer esta água para nossos irmãos em Cristo, como “sal” devemos provocar sede de crescimento espiritual em nossa sociedade.

Por último temos a propriedade de purificar. Purificar significa limpar algo tão profundamente que o torna como em sua origem, limpar tão profundamente o coração dos homens que os torna como crianças, apaixonados pelo Pai e por seus irmãos. Apaixonados pela irmandade. No evangelho de João, primeiro capítulo, versículo 29, podemos saber como purificar o nosso derredor: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, foi o que João Batista disse quando viu Jesus. Antigamente, sacrifícios animais eram oferecidos a Deus visando perdão e purificação, todavia, Jesus prontificou-se a vir a terra e sacrificar-se por todos nós, para que nossos pecados sejam limpos e para que voltemos à nossa essência humana: feitos a imagem e semelhança de Deus.

Portanto, sejamos “sal”, que as palavras de Jesus fluam em nossas vidas e nossos testemunhos de amor e graça comovam corações e os levem ao Cordeiro, que purifica.

Uma túnica de sacrifício

Gênesis é o primeiro livro da Bíblia, seu nome, em hebraico, é Bereshith, que indica “No princípio”. Este precioso livro nos mostra todos os princípios: o princípio da humanidade, do casamento, do pecado, das conseqüências do pecado, das revelações dos planos de Deus e de uma nação, Israel.

Bereshith também é a primeira palavra da Bíblia, que é seguida pelo relato de Elohim criando os céus e a terra. Elohim é uma palavra que encontra-se no plural, que significa força, liderança poderosa e divindade suprema, indicando que, o Pai, o Filho e o Espírito Santo criaram tudo o que há.

Após criar tudo o que há na natureza, Elohim criou os dois primeiros seres humanos, um homem e uma mulher, a sua Imagem e semelhança. Ser criado à imagem e semelhança do Pai, do Filho e do Espírito nos faz refletir sobre como eram estas primeiras pessoas. Refletiam em perfeição e pureza toda a autoridade do Pai, toda a sabedoria do Espírito e toda a humildade do Filho.

Todavia, como sabemos, a história se sucedeu e houve o primeiro pecado: a obtenção do conhecimento do bem e do mal. Sabendo de seu pecado, o primeiro casal notou sua nudez (alguns estudiosos dizem, que antes disso, ambos refletiam a luz proveniente de Deus, e por isso não envergonhavam-se) e escondeu-se de Deus.

Tanto tempo após a criação, nós, seres humanos, ainda temos a mesma atitude. Os erros, os julgamentos, as invejas, as mentiras, os problemas. Toda vez que nos deparamos com algum deles, nos escondemos atrás de qualquer moita do dia-a-dia (seja ela trabalho, família ou o próprio ego) e escondemo-nos de Deus. O pecado nos traz esta vontade, a vergonha nos faz querer manter Deus bem longe e nos dá uma temporária certeza de que ele realmente não se importa conosco e nossa situação.

Entretanto, a primeira e mais bela demonstração da Graça e Misericórdia de Deus vem a seguir. Como Pai amoroso que é, Deus não priva Adão e Eva das conseqüências de seus pecados, mas, perdoa-os e sacrifica um animal para fazer túnicas de pele para eles, a fim de que não se envergonhassem mais1. As túnicas, provenientes do primeiro sacrifício, cobrem os corpos e fazem com que eles se acheguem a Deus sem vergonhas. DEUS fez as túnicas e os vestiu, carinhosamente, para que ELE pudesse estar ao lado deles enquanto enfrentavam as conseqüências de seus erros e seguiam com suas vidas.

É assim que Deus faz conosco hoje. A Bíblia nos mostra uma série de situações nas quais DEUS teve misericórdia das pessoas, todavia, muitos anos após a criação, novamente, houve um sacrifício – maior do que todos antes ocorridos – para que todos que nele cressem fossem vestidos com túnicas e pudessem se aproximar de Deus.

Este é o sangue de Jesus Cristo, meu e seu Salvador. O Sangue derramado pelo Cordeiro, que tira o pecado do mundo2. Jesus não faz uma mágica, que torna a sua vida um mundo encantado de fantasias. Jesus limpa seus pecados, e seu sangue faz sobre você uma túnica, que te cobre de todas as suas vergonhas, que cobre tudo aquilo que antes te fazia sentir vergonha de entrar na presença de Deus. Jesus te leva ao Pai, que irá segurar firme em sua mão e te ajudar a enfrentar as conseqüências da vida.

Você foi criado à imagem e semelhança d’Ele também! Aceite sobre a sua vida o sangue de Jesus, que tira todo o pecado, toda a vergonha, toda a culpa, e faz com que você seja chamado FILHO DE DEUS3!

1. Gênesis 3:21

2. João 1:29

3. João 1.12

De braços abertos

Muitas igrejas focam-se no pecado, assim como muitos juízes focam-se nas acusações e grande parte as pessoas do nosso convívio atentam-se principalmente aos nossos defeitos.

Entretanto, por que não pensar na purificação, na libertação e nas qualidades? Por mais que falemos em beleza interior e em espírito, inevitavelmente, quando olhamos para alguém, vemos o seu exterior primeiro – não por maldade, mas por que nosso cérebro funciona assim. Quando Deus nos olha, ele também vê algo antes de qualquer coisa: como estamos “vestidos”. As roupas ou “vestes” são tecidos que usamos para cobrir nossos corpos por pudor. Espiritualmente, ou seja, como Deus nos vê, nossas roupas demonstram o cuidado que temos com a nossa alma e a situação na qual a deixamos, as roupas também podem ter manchas e rasgos provenientes de lutas passadas.

No livro de Zacarias, no capítulo 31, há o relato de uma visão na qual Josué, um homem separado por Deus, estava diante dEle com vestes sujas e ao seu lado estava seu inimigo, acusando-o. Ao ver a situação de seu filho, Deus pede para que as vestes sujas sejam tiradas, trocadas por novas e disse para Josué: “Tenho feito que passe de ti tua iniqüidade e te vestirei de finos trajes”. Deus não acusa Josué, não o expulsa de sua presença, não aponta seus defeitos. Ele apenas troca as suas vestes sujas por finos trajes, ou seja, o purifica. Com amor e ternura, Deus troca as vestes de Josué e lhe põe um turbante na cabeça, turbante o qual foi descrito alguns livros antes na Bíblia, e nele estava escrito “Santidade ao SENHOR”. Após a troca de roupa, após ser purificado e receber o renovo Deus declara que, se Josué permanecesse andando em Seus caminhos e observando os Seus preceitos, ele também poderia, no futuro, ser fonte de benção para toda uma nação de pessoas.

Deus está disposto a amar todas as pessoas, afinal, ele é o Pai de toda a humanidade. Olhe para a sua direita, para a sua frente, olhe para as pessoas ao seu redor no trânsito e no metrô, então, Deus ama todas estas pessoas igualmente e está igualmente disposto a trocar as vestes sujas das acusações, dos erros e dos pecados por novos trajes, cheios de amor, alegria, paz, confiança, bondade, paciência, fidelidade, mansidão e domínio-próprio. Estes são os frutos que são produzidos por pessoas as quais Deus já mudou as vestes, nas quais Deus trabalha, contra estas coisas não há Lei, não há acusação3.

Jesus conta uma parábola que faça sobre um grande banquete, e o Reino dos Céus é semelhante a este banquete. Em certo dia, um rei celebrou o casamento de seu filho e para isso pediu que seus servos chamassem os convidados, mas estes não quiseram vir, novamente, ele pediu que os servos os chamassem, e eles deram muitas desculpas para não ir ao banquete, permanecendo indiferentes. O rei então concluiu que a festa estava pronta, mas os convidados não eram dignos, então, novamente o rei mandou seus servos convidarem, mas agora, que convidassem a todas as pessoas para os banquetes, boas e más, todas quantas eles encontrassem. Trazidos às pressas, os servos forneceram vestes nupciais para as pessoas que ali entraram, entretanto, durante o banquete o rei notou que uma pessoa não havia mudado as vestes para entrar no banquete, e esta pessoa não fez mais parte daquela celebração4.

Ambas as histórias, de Josué e a parábola do rei, nos ensinam que Deus está de braços abertos para nós. Deus está de braços abertos neste exato momento para você, para mudar as suas vestes, para te receber em um grande banquete e festejar com você uma vida repleta de transformações essenciais, de bons frutos. Não negue as vestes, não se deixa levar pelas acusações.

Existe um lugar na mesa do banquete separado com o seu nome!

O seu Pai te quer por perto!

  1. Zacarias 3:1-10
  2. Êxodo 28:36-38
  3. Gálatas 5:22
  4. Mateus 22:1-14

O amor de Cristo

Há várias formas de demonstrar amor. Alguns consideram as palavras a melhor forma, outros consideram presentes, alguns chegam a considerar a própria companhia um modo de se mostrar amor. Independente da idéia da vez, ou da moda, uma verdade nunca muda: Existe u amor que é maior do que todos os amores. Este amor é o que Jesus Cristo tem por você.

Jesus amou-te antes mesmo de você saber quem ele era, antes mesmo de você pensar se suas atitudes o agradam ou não, antes de você decidir acreditar na existência dele ou não e muito antes de você se preocupar em ter ou não a presença dEle na sua vida.

A cada amanhecer, o sol nasce exatamente como nasceu no dia anterior. O sol não nasce pela metade, nem deixa de iluminar nossos dias. Assim é Cristo: a cada dia ele permite que sua graça brilhe sobre a sua vida, lhe dando uma nova chance para recomeçar.

Em 2 Coríntios, capítulo 5, versículos 14 e 15 temos a essência do Evangelho, a essência do Cristianismo, a essência deste tão lindo amor: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

O amor de Cristo nos constrange grandemente. Nós julgamos as pessoas por suas práticas, hábitos e aparência. Ele vê o coração. Ele morreu na cruz por todos, seu sangue foi derramado por todas as pessoas – não só por aquelas que estão sempre dentro das igrejas, como os religiosos gostam de enfatizar.

Saiba que Cristo te ama! Abra seu coração e receba esse amor! Não viva mais para si, viva para Ele e por Ele!